São gestos. E sento-me à tua frente, num inconsciente que alimento, olho-te como um objecto estranho de conhecimento. O conhecimento é simples, eu quero-te escrever coisas simples. Eu só quero que isto seja simples, mesmo me sento à tua frente. Não te falo, gosto mais das tuas palavras, do fôlego do nosso silêncio. Silêncio. É nesse silêncio que batemos palmas ao mais bonito espectáculo que algum dia produzimos, que algum dia pudemos apreciar. Nós apreciamos, sentadas num banco qualquer, numa qualquer rua e silêncio. E nos silêncio somos gestos. Somos cores. Somos tudo. Somos um pouco de um história. Sou um pouco de ti. Mesmo querendo isto simples, o silêncio complica. Somos complicadas ali sentadas, penduradas por gestos simples. Somos estes gestos simples, dentro da complexidade com que te escrevo. Sentada à tua frente, sim, sou simples, porque não falo, não escrevo. Quando és tu, sentada à minha frente, sim, és complexa. Tens em ti as cores todas do mundo, os silêncios todos mais complexos, as palavras mais complexos. E sento-me à mesma à tua frente e sei que o silêncio é nosso. O teu sorriso é o nosso silêncio que eu desenho nestas palavras, quando estás sentada à minha frente. E o teu sorriso são gestos, é silêncio e tu estás sempre sentada à minha frente, num banco qualquer, numa rua qualquer, pendurada pelo silêncio, no meu coração, também ele, em silêncio.
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