Sou uma pessoa que teima com certas coisas, que certas coisas me fazem moça, me remexem e consigo ter pensamentos muito cruéis, que não partilho. Decerto não serei a única, mas há momentos em que crio raiva de mim própria por assim ser. Não se trata de gostar que tudo seja à minha maneira, porque não o é nem é meu desejo que assim o seja, trata-se sim de pequenos pormenores que não se encaixam em mim. Egoísmo. Falsidade. Arrogância. Era disto que eu falava quando chamava nomes, quando dizia "odiar", quando dizer querer-me ver livre. Porém, venho-me apercebendo, é no exacto momento em que me sei ver livre dessas pessoas que a falta delas começa a sentir-se. Não é uma falta vital, mas é uma falta que faz moça, mesmo que mínima. É pouca a falta, como era pouco o sentimento, mas sempre era. É nestas alturas que embirro comigo mesma e penso que talvez tenho sido injusta, é nestas mesmas alturas que me sinto assim, indefinida em certos sentimentos.
O quotidiano muda e as pessoas vão, deixam de ser certas coisas, passando a ser outras, mas as que realmente marcam, não deixam de ser. Tenho uma lista de pessoas que não só passaram, mas marcaram, mesmo que pouco. É dessa lista que me relembro em momentos destes, em que fazem falta, mas não me causam lágrimas. É essa mesma lista que me faz pensar que há pessoas que não entram por aqui e não é por acaso que não me esqueço. Se algum dia me esquecer, é porque não marcaram, se nunca me esquecer, é porque foram fundamentais. Se não me esquecer é porque valeu a pena, e nesse preciso momento não me saberei arrepender de nada. Nem de lhes ter chamado nomes.
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