Loucura inválida

São estes pequenos pormenores, de quotidiano desajeitado, de horas dadas a uma causa que não é minha, que fazem de ti, quando já pensava ser impossível, ainda mais doce. São estes pormenores que te revelam. Quando me chamaram louca, eu sabia que ainda viria a provar que tu corresponderias à toda a minha aparente loucura. Deixou de ser loucura para ser bem-querer, vontade de ter, vontade de não ir, mas também vontade de não querer ficar. Eu não quero mais ficar, e sei que tu vens comigo, para onde for, depois de me ir embora. A minha vontade de querer que o tempo não passe, ou de voltar no tempo, já não faz mais sentido, por te saber a acompanhares-me comigo no tempo. 
Eu tinha dito que, ao contrário das expectativas, eu iria deixar a nossa história, a minha pequena presença nesse capítulo acabar, sem rancor do tempo, mas quem não quis que a história assim morresse não fui eu, e ao contrário das expectativas, tu queres-me na continuação dessa história, desse capítulo. Por isso mesmo, não me voltem a chamar de louca, não me voltem a atirar pequenos preconceitos de sociedade mal formada, eu acreditei em ti e tu não me quiseste deixar perdido, algures no meio do teu tempo. Este é um dos pequenos pormenores que te tornam doce. Este é um dos pormenores que faz todas estas letras claras, perfeitas a meus olhos. Aos outros olhos, que não os nossos, não me importa se não nos vêm, se não nos querem, se me chamam louca. Se consideram loucura, pobres eles, que não sabem metade do que sou, dos segredos que guardo, das mágoas que choro e das causas dos motivos porque sorrio. Eu sorrio também por ti, chama-me louca. 

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