Fotografias

Agarrada a fotos tuas, já não sei mais vê-las como fim, como réstia do que um dia foste. Elas marcaram dias e horas, felizes e menos felizes, mas marcaram e permanecerão assim, eternamente, até ao dia em que o nosso consciente quiser não mais tê-las. A partir desse momento eu perceberei o real sentido de tudo isto, saberei se soube ou não soube escrever estas letras, de modo a que as percebesses, a que sobre elas reflectisses. Conseguirás saber o que te quero dizer com tudo isto? Não, isto não só letras que formam palavras meigas, dirigidas a uma pessoa que me despertou algum tipo de admiração. Isto são conselhos, dicas, apoio, carinho, mimos sobre a forma de letras, de cartas que espero que venhas a ler, a perceber. Eu não perco estas horas só porque te gosto de ler, só porque gosto de ti, eu perco-as porque sei que vale a pena perdê-las, numa tentativa vaga de que os meus pulmões se encham de coragem, minha boca de palavras, e te consiga dizer para leres isto tudo. Dizer-te que tudo isto é, não só para o rosto que observo, a ver as tuas fotos, mas para ti, que estás desse lado, a ver-me como estranha, a ver tudo isto como uma estranha. 
Não sei se te saberei dizer isto e o meu grande mal permanece esse. A ideia da tua reacção provoca-me uma ânsia estranha, corrosiva, assim como a ideia de que nunca entendas isto como o que é: Mimos. 
Eu quis-te, com isto tudo, contar uma história, dizer-te a meus olhos, não omitindo o sentimento impresso entre estas linhas. Sim, eu comecei, por estas linhas, a ganhar uma especie de sentimento por ti e é nelas que vou tentar decifrar de que tipo de sentimento se trata. Eu quis-te com isto tudo incentivar a sorrir, mostrar que não estás tão sozinha e que há pessoas, mesmo que só eu, mesmo que só o resto do mundo, que gostam de te ver sorrir, que te sabiam mais do que o ténue sorriso que raramente expressavas, que te sabiam mais que a cara de poucos amigos que sempre adoptaste. Tu tens agora a prova disso e não é com as minhas palavras. Tu tens a prova disso com o meu olhar a ver as tuas fotos. Antes, irias olhar para os meus olhos e vê-los-ias cheios de raiva, medo até, fúria e uma mistura de ódio com querer mal. Agora olhas para os meus olhos e sei que os vês como palavras, escrito ao vento, com a doçura espontânea que me foste mostrando pelo teu sorriso, um sentimento tímido e meigo, um bem-querer generalizado. A principal mudança nos meus olhos não foram as tuas fotos, não foram os documentos e seus derivados oficias que me entregaste, não foram os dias - foste tu.

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