Criei em mim um sentimento de saudade sem fim. E agora? como poderei ultrapassar toda esta falta? Não me soube habituar e voltas ao meu pensamento quando te sei deste modo, quando já não te sei. Eu lembro-me do que sabia de ti e essa é a minha força, o meu orgulho. Eu lembro-me do que sabia de nós, de como descobrimos o nós, de como chegamos até ao nós que tu quiseste pôr um fim terreno. Mas eu não me lembro de mais nada, e voltas ao meu pensamento quando eu não quero, e voltas aos meus olhos quando eu não quero, e voltas a ser a estrela que eu não queria que estivesse no céu. E o nós? Explica-me, através desse brilho que agora tens, como será possível eu continuar um nós, se eu não sei ter poder para chegar ao teu brilho? As minhas lágrimas, as tuas lágrimas, são brilhantes, mas o brilho é diferente, é brilho de passado sem futuro. E o futuro? diz-me com esse teu brilho onde o futuro reside, onde está o sentido de tudo isto e do nós.
O meu real medo é não voltar ao nós e que nos tenhamos ficado pelo passado que já não é mais o mesmo. Já não pode voltar a ser o mesmo. Eu acredito em muitas coisas, mas sei que, quando te encontrar, nunca poderei ter o mesmo brilho que tu. Eu tenho medo que não me voltes a aceitar pelas noites em que não sei ver o teu brilho e ele começa a escorrer, pela ausência do teu brilho terreno, pelos meus olhos. São noites atrás de noites que não te sei parar de pensar. Tenho medo de me afogar num brilho tão pequeno quanto o dos meus olhos, o da água dos meus olhos. Eu queria afogar-me sim, contigo, num mar de lágrimas de gargalhadas. Num mar de lágrimas de gargalhadas. Agora as gargalhadas não se ouvem e choram-se, não pela sua presença, mas por tamanha ausência e saudade. Sim, deixaste saudade de um passado onde criamos o nós, no fundo, deixaste saudade desse nós. Esse nós que sei não poder recuperar. Oh o quanto dava para me dizeres que estou enganada!
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