Estou insegura, de ti e de mim. Tenho medo, daquele que sai de mim e segue para o mundo, do que ofusca, é preto, é fosco e não se vê. Daquele que sei sentir, daquele que sinto. Tenho frio, daquele que dói, magoa, que faz ferida nas bochechas, que queima, faz moça, daquele que não vem do mundo, mas vai para o mundo, de mim. Tremo para que não sinta a tua falta, para não me sentir parada, quieta, de modo a não querer sentir o frio que se faz na tua ausência. É uma ausência receosa, é uma ausência fria, que magoa. Tudo isto magoa por te saber assim, frágil como diamante, frágil como água, como eu. Magoa por não te saber, por te saber longe, tão perto. Magoa por saber tão perto do que eu não quero que estejas, do que eu não quero que sejas. Tenho medo, tenho frio e não te tenho, livro, para te deitares ao meu lado, abrires as tuas páginas, com um quente chá e uma grande manta, leres-me uma grande história, das que aquecem a alma que parecia apagada. Leres-me uma história, das que duram horas e ganham cada vez mais a minha atenção, que me dão força para te escrever, que me dão alento para te ouvir, para te saber ler. Quero que voltes, não quero medo nem frio, quero que voltes. Quero que voltes de forma a poder sentir a primavera cheia de flores, quente quanto baste, a dizer que o sol ainda renasceu, que as nuvens te abriram páginas em branco para mais escreveres. PERCEBE! Eu não quero histórias tristes, de inverno, de frio, de medo, de chão molhado, de guarda-chuvas, de casacos onde nos escondemos. PERCEBE! Eu quero história de ti, de primavera feliz, de sol, de pouca roupa para te esconderes, de mais páginas para leres, mais horas de luz para me ouvires. Eu preciso de quente, não quero mais frio. Eu preciso de ti, não preciso do teu vazio.
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