Fogo

São estas saudades que eu disse me matarem. São estas que eu disse inflamáveis e, quando unidas à minha cega alma, pegariam fogo, por isso agora não há bombeiros que a segurem ou água que a apague. Agora o fogo está descontrolado, de ti inundado, devido ao teu brilho de mim distanciado. E agora? agora venha água para controlar as chamas, que saia dos meus olhos um rio, para controlar, para o considerar extinto? Os meus olhos não fazem rios. O fogo da tua ausência não se extinguirá. Até ti, estarei assim, flamejante, em fogo, tocando tudo com dedos de medo, inflamando os demais, sentido-me assim, quente sem motivo, fria sem ti. Não darei descanso aos bombeiros, mesmo não havendo meios suficientes para me controlarem- não darei descanso aos meus olhos, mesmo não havendo meio de secarem. E assim, já guardei as armas, já recolhi o escudo e aguardo-te, a tua vinda gloriosa, cheia de brilho, espero, aguardo pacientemente. Aguardo com calor, num frio que dá dor. Aguardo sempre, aqui, aqui. Aguardo e as chamas irão parar no dia em que vieres, em que souberes regressar. 

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