Depois dos pássaros

Era disto que te falava no discurso. Era esta esperança, era esta vontade de querer adormecer, de olhar incessantemente para o relógio. Era isto que queria, isto que pretendia: Uma onda de pássaros, a voar mais alto, mais longe, mais distantes de mim que o sol, mais perto de mim que a lua. Cada um poisa em cada lugar de mim, ocupa o seu lugar, numa esperança fundada nas enormes coisas que me ensinaste, me disseste, cada um ocupa o seu lugar que tu quisesses que ocupasse e tu, vens sempre, amanhã, no meio dos pássaros, reduzindo-te à tua condição de borboleta. mil e uma cores, mil e um sonhos, mil e um sorrisos. Eu gosto das tuas cores, dos teus sonhos, dos teus sorrisos, eu gosto de ti, no meio dos pássaros. Primeiro os pássaros, depois tu. Depois a borboleta que mais gosto, depois a borboleta que me sabe pôr a voar, que me sabe, que me ouve, me ensina e me compreende. Depois dos pássaros, vem sempre a coisa porque espero minutos a fio... O caminho. As árvores. O passeio. As grades. Os corredores. O teu sorriso. E a esperança é sempre a mesma, a beleza sabe ser sempre a mesma. Depois, depois da borboleta, depois de ti e mesmo antes de ti, o quentinho. O conforto. O conforto da tua alma e do teu sitio. Depois de ti, vem sempre a paz. A paz de te ter sempre, de não te deixar nunca e, novamente, a esperança.

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