Fui-te ver, finalmente, ao fim de algum tempo. Desculpa toda este demora, sei que não é preciso ir lá para estar verdadeiramente contigo mas soube-me incrivelmente bem ir. Eu não queria ir à pressa, não queria ir acompanhada, não queria ir com a cabeça cheia de coisas que não tu. É certo que fui acompanhada e a pressa acabou por surgir, devido à companhia, mas foi bom à mesma. Eu sei que não falámos como te houvera prometido, sei bem que não te contei as novidades da minha vida sem ti, por outro lado, sei que já as sabes muitíssimo bem, talvez melhor que eu até!
Percorrer, de novo, aquele caminho onde de deixei foi... sem palavras. Sabes bem que nunca tinha passado por nada idêntico, por uma saudade tão acentuada e tão irremediável, provavelmente tu percebe-lo sempre que te falo, mesmo que por letras, mesmo que por voz. Agora o teu entendimento, acredito eu, sobre todos nós mudou, apesar de não ser muito fiel à ideia da vida depois da morte, apesar de todas as brincadeiras que com isso faço, sei que nos vês e, caso não nos vejas, que nos sentes. Sabes a tua falta, sabes as nossas lágrimas, sabes os nossos sorrisos, as dores, as fases do dia, as fases da alma. Acredito que aí do céu, sobre a forma de estrela, nos guies sempre, mesmo não nos dando a mão como fazias, mesmo não nos ajudando a sorrir fisicamente. Tu continuas-me a fazer sorrir, naquelas nossas parvoíces que tu bem ouves, em que falamos de ti com um sorriso, numa tentativa, ou melhor, numa certeza que estás sempre presente em todos nós, embora doa toda a ausência, embora doa ter-te perdido.
Voltando à minha visita, desculpa ter demorado. Posso ser muito distraída em tantas coisas, mas no que toca a ti, na maneira como me tocaste o coração, não o sou mais. Essa é a razão da minha demora. Eu tive de me recolher, de fazer as pazes com aquele a que chamam destino, para conseguir dar cada passo em tua direcção naquele dia. Tu bem viste que não foram passos fáceis. Ao passar do portão, ver todos aqueles que fizeram o que tu me estás a fazer a mim a alguém, não me arrepiou, ao contrário da expectativas. Ao passar do portão viste que só olhei o céu, mesmo de dia e te sorri (Sim, eu realmente não sou muito normal para, num sitio como tal, olhar o céu e sorrir). Tu sentiste bem que eu precisava daquilo para conseguir continuar. E viste que desvendei cada canto com os meus olhos, reconheci cada lugar, reconheci cada passo. Foi a 2ª vez que lá entrei, que te vi assim.
Eu não consegui falar, senão as insistentes gotas de brilho iriam, decerto, fluir. Contive-me, não porque não o quisesse fazer, mas por saber que dificilmente me iria controlar. Gostei de voltar. Senti-me em casa. "mi casa, es tu casa" e é bem verdade, e tu disseste-mo, baixinho ao ouvido. Eu não ouvi, mas senti. Tal como, mesmo sem ver a foto, consegui tocar o teu sorriso, ver o brilho que foi para o céu, que encarnou numa estrela, que agora alta brilha.
Olha eu prometo que vou lá ter contigo mais vezes, eu prometo que vou-te contar as novidades, as histórias e as parvoíces todas. Sozinha. Mais que nunca, e não numa vertente de querer ser forte, eu quero fazer isto sozinha. Tenho necessidade de o fazer sozinha, tenho necessidade de lavar os olhos com o teu brilho, em tua casa, de olhar o céu e poder sorrir à vontade, de falar contigo. Eu sei que não é preciso lá ir para falar contigo, mas soube-me bem. Sozinha, eu vou voltar, prometo. Vou-te fazer muitas festinhas, dar-te muitos beijinhos e sentir-me bem, sentir-te bem. Vou-te dizer olá, porque tu, nunca me disseste adeus.
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