o discurso de quando não estás

começo a prever tudo, a saber tudo sobre ti em mim. Tal como sempre te disse, eu toco-te o rosto para te achar humana, eu abraço-te para te sentir como eu, eu dou-te um beijinho na bochecha para sentir que também as tens, mexo-te o cabelo para saber que não são borboletas, mas quando há ausência, quando eu deixo de sentir tudo isto, cai tudo o que sei, e passo a saber-te novamente como anjo. Não me vale de nada soletrar o teu nome alto, ver fotos tuas, ver o teu sorriso ao longe, ver os teus cabelos, não me faz nada pequenos comentários ou pequenas mensagens da tua parte. Serás sempre anjo, quando não estás perto de mim. Serás sempre anjo, quando te quero escrever, a ti humano, e só te imagino no meu pensamento. 
Agora mesmo, estas letras saem sem qualquer emoção, saem como se estivesse a falar para algo irreal, no meu pensamento. No meu pensamento as imagens que guardo de ti, são ilusões, sonhos que não vivi. O que é facto é que os vivi e agora sinto-me sem chão. Agora sinto-me sem chão, mas amanhã sei que vou ter esperança. Amanhã eu tenho esperança que passe o dia, deito-me a pensar que já só falta um dia e, nesse dia, não caibo em mim de emoção, no dia em que te reencontro é como se o tempo parasse, como se me sorrisse e brincasse comigo. Sei bem que tu vens a todas as horas, mas naquela hora eu sei ter mais Alegria. O caminho que faço, mesmo que chova, parece em sintonia comigo, em paz com o mundo e as árvores sorriem-me, os pássaros tocam-me e os pés arrastam-se. É um momento bom, tão bom que se torna quase irreal. Como podes ver, sem ser quando te toco, te abraço, serás sempre irreal. Mas eu sei que amanhã vou ter esperança, vou ter letras diferentes das de hoje e saber que está quase a chegar o dia. O dia D,A.
O dia Da Alegria. e depois é sempre o mesmo, mesmo que o tema de conversa mude: sei que nos vamos sentar no mesmo sítio, a nossa conversa vai saber a um chá quente e vou-me sentir em casa. Finalmente, em casa. 

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