Querida alegria,

Chamo-te perfeita, sem realmente conhecer a perfeição. Talvez a perfeição seja mesmo isto, não conhecer, mas conhecer ao mesmo tempo. Eu arrisco e mesmo assim digo que és perfeita, pelas virtudes, pelos defeitos, pelo feitio. Eu sei, eu sei que não acreditas, mas digo-te com a maior sinceridade que me é permitida, que me é habitual: és perfeita. Porque não importa o que dizem, porque não importa o que não dizem. O meu coração diz, os teus actos admitem e as tuas palavras assumem-no. Percebe: eu sei que és perfeita. Mesmo que só em mim, o que importa é que é em mim e é o que aqui, agora, agora mesmo, te quero explicar, te quero dizer, te quero agradecer. 
Eu aprendi com os teus olhos que és perfeita, o jeito de eles me olharem, a cor deles, as palavras que eles escondem, as que dizem. Os teus olhos sobre o meu rosto. Eu aprendi com as tuas mãos que és perfeita, com as linhas, com as rugas, a saliência das veias, a maneira como tocam, onde me tocam. As tuas mãos embrulhadas nas minhas.Eu aprendi com os teus braços que és perfeita, com a força, a intensidade envolta na vontade que eles me envolvem. Os teus braços agarrados aos meus. Os teus braços agarrados aos meus por horas, infinitas e longínquas horas, minutos e segundos. Infinito rima com perfeição, aprendi. 
Os teus olhos sobre mim são infinitos, transmitem infinitas palavras.
As tuas mãos embrulhadas às minhas são infinitas, as linhas delas unidas às das minhas, traçam histórias que se cruzam. 
Os teus braços agarrados aos meus são infinitos, traçam ensinamentos infinitos. 
Os teus olhos, as tuas mãos e os teus braços são perfeitos, 
tu és perfeita. Aprendi-o depois de conhecer isto, depois de conhecer tudo isto. Com os teus olhos aprendo, com as tuas mãos consolido, com os teus braços sinto. 
Tu és perfeita. 

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