Querido Piano,

Vos venho agradecer, vos venho dizer que implorarei vossa força sempre que os meus braços a força perderem. Vós tendes-me feito mais de mim, mais do que eu me julgara capaz. Provavelmente, vós ouvistes as minhas rezas, ao céu e lua, aos astros mais luminosos, e sem ouvir, cantei e dancei vossa melodia, sem querer, pus em prática vossos ensinamentos. Esse encanto me está a consumir, em corrói, me consome, me trás as coisas mais inimagináveis, mas não quero que acabe. Eu não quero que acabe. Peço-vos só mais uma vez, ou duas ou três, dê-me vosso alento mais uma vez, ou duas ou três. Bem sei que não tendes limites e vossa sapiência me atravessará, me buscará ao meu longínquo local do mundo. Vós sabeis correr por mim e eu não vos desamparo, vós sabeis que eu estou sempre onde me procurais, aguardando vosso encanto, ordem. Aguardando, no fundo, vossa inundação em mim de melodia, por vezes doce, de codificação complexa, por vezes amarga, de cariz suave. Bem sei que vós sabeis e me leis, bem sei que estais aqui.

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