Minha fiel inspiração, hoje particularmente aguda, recai sobre vosso branco, acreditando que ele me poderá elevar deste estado que me ocupa o pensamento, que me afecta todas estas letras. Decerto sabeis que de preto não quero sequer falar, não quero recordar. Quero hoje, fazer de vosso branco uma pomba, nele achar uma asa e uma âncora. Acreditando nos vossos poderes para-normais, fazer de vós hoje uma asa é pedir-vos que me leve longe. Longe deste meu duro pensamento que se encerra somente sobre desgraças. Quero de vós uma âncora, para saber que, caso o voo corra mal, terei sempre algo que me apoie, que me salve de um naufrágio sentimental.
Daí-me um branco, uma pinta de branco hoje para que possa, hoje mesmo, fazer de tudo o que eu possa para fugir. Sei que vós não gostais deste termo mas é o que mais me acolhe, me encaixa. Com todo este pressentimento, caso venha a ter gota de branco, de seu branco, sinto-me capaz de imaginar as mais ínfimas coisas a partir dele.
É nisto que meu estado mental hoje se encerra, já vos houvera dito. Porém, é nestas altura que mais valorizo determinadas coisas: como se minhas mãos tivessem poderes, com a mais limitada e pequena coisa poderei imaginar um oceano de possibilidades. É nestas alturas que julgo poder voar, contudo apenas poderei ter asas com vossa pinta branca. Só vos quero a vós, nesta noite que eu sou preto e vós tendes o branco. Daí-me vosso branco de forma a combater meu preto.
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