Querido livro,

Telefonei-te, mesmo sem o ter feito, pedindo-te para me dares mais este ano. Para "te dares" mais este ano. A chamada foi curta, mas chegou para o que te queria dizer. Não era uma mensagem extensa, preferimos coisas mais curtas, mas tinha todas as virgulas e todos os pontos finais que te queria dizer. Foi isto a que me habituaste, à pouca extensão de algo e dizer tudo. A nossa chamada talvez tenha sido só um cruzamento dos nossos olhares. Ele também curto, ele também com tudo dito. 
Disse-te que não te esqueceria em mais um ano, ou melhor, que não te esqueceria. Nem o teu sorriso, mesmo vendo-o tão poucas vezes. Nesta noite de inicio de ano, disse-te tudo o que queria, na nossa chamada, em forma de poema, mas como disse, do pouco que me lembro, recordo estas palavras:
Chovem luzes no céu, sobre todos,
Cores e brilho e sorrisos e lágrimas.
A minha verdade corre em todos eles,
Mais alto que o céu.
Mais alto que a minha própria alma,
Chove o teu sorriso, timidamente.

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