Querida espada,

se a inspiração não fosse tão elevada dir-te-ia que és mais do que quero. Corre água e pessoas à nossa volta, mas nada mais interessa. Foi só um ou dois segundos, ou um ou dez minutos, não me perguntem ao certo, mas não me interessa. É um momento para não esquecer, só isso interessa. E, por muito que quisesse, a minha tão elevada inspiração não me permite. Assombra-me o nosso tempo, aquele tempo que esperei tempos infinitos, que talvez tenha durado infinitamente. Foi tão doce... Tu sabes que sim, tu sabes possivelmente melhor que eu o que foi, ou não foi nada. Sabes que mais? as duvidas, como esta que te apresenta, já nada me incomodam. Só sei o que senti, e que há tanto tempo queria de novo sentir, o que toquei, e que há tanto tempo ansiava por tocar, o que saboreei, e que esperei anos para saborear. E sei que também o fizeste, e sei que gostava de o fazer outra vez. Sentir da mesma forma a não existência de mundo à minha volta, e as pessoas correm e a água corre, mas nada corre como o nosso sangue. De novo voltar a não ver nada e de olhos fechados, ver tudo o mundo, ver tudo o que queria ver. Sentir. Correr.

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