Os meus olhos pertencem-me. A minha pele pertence-me. A minha boca pertence-me. Porém tu sabes que parte dos meus olhos, da minha pele e da minha boca também te pertencem. Tu sabes, sabes as novas cores da vida real que ensinaste aos meus olhos, a nova pele que me deste, ajudando-me a abandonar a outra algures, sabes as novas palavras que me ensinaste. Tu sabes tudo isso como se tratasse de uma sabedoria eterna. Tua e minha.
Sabes também que há um mundo em mim, feito de mim, feito de ti e todas as outras pessoas que são em mim algo. que são tão pequenas quanto eu. ensinaste-me também, e por isso teres parte dos meus olhos, que somos todos iguais, naquele dia em que me ajudaste a subir a uma árvore. Lembras-te? eu também. Aquele em que abracei os seus ramos, sem desmanchar nenhuma folha, pelo contrário, até criei, mesmo que pequena, uma folha nesses ramos. Foi no dia em que abracei uma árvore! Foi o dia em que senti os meus olhos a observarem mais alto, a ver que eu não sou tão pequena quanto isso, em que senti o vento a levar-me a velha pele e renovar-me - por fora e por dentro-, em que senti os meus lábios proferirem a mais bela e sábia palavra de todos os tempos. Foi o dia em que abracei a minha árvore ou a minha Alegria - como lhe queiras chamar.
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