As minhas mãos, frias ao tacto, são insensíveis para o que quero, para o que não quero. A sensibilidades delas perde-se quando o frio, que as faz frias, me atinge a alma, também ela dotada de um friozinho desagradável. O frio que sinto não é o mesmo frio que tu sentes. Eu sinto um frio longo e quente, barulhento e silencioso: sem sentido. Eu sinto um frio diferente do teu, porque o teu frio apenas te despenteia o cabelo, apenas te despenteia a alma e acaba sempre por levar as lágrimas que vais tendo. O teu frio é parte do inverno em ti: unido à chuva, as tuas lágrimas são invisíveis.
O meu frio é mesmo frio, mesmo quente. Atinge-me nos momentos mais quentes, de verão puro, e nos momentos em que já tremo sozinho. Esse meu frio, ainda mais me faz tremer, faz-me aguçar a vontade de dar as minhas mãos frias uma à outra. E depois vem outra vez o frio: a implicação de vontade de querer a tua mão por cima das minhas.
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