Tardes em que me deito.

Estou deitada sobre uma incerteza da tua existência. Entre os sonhos em que és saudades e os sonhos em que te espero, já desconfio de tudo. Tu já não és conhecimento, és emoção. Já não sei definir a forma do teu rosto e as palavras que disseste. Lembro-me das tardes, ou dos pedaços delas, lembro-me das palavras, ou dos pedaços delas. Lembro-me do cheiro, da cor, da alegria. Eu sei que essas tardes, as quartas-feiras, não voltaram a ser mais santas, não voltaram a ser nossas. Espero que o tempo que não sabe vir, para ter mais pedaços de tardes e de cheiros: de ti. Sei, com toda a certeza, que voltaremos a tomar a mesma forma e voltaremos a ser os mesmos cheiros, dessas tardes. Eu sei que vamos ser sempre a mesma alegria. Não sei as tardes, não sei medi as saudades, mas sei que voltaremos a tomar a mesma forma. A forma das minhas mãos, quando pousaram as do teu rosto, a forma dos teus olhos, quando pousaram nos meus olhos. Eu sei que vamos ser um só corpo, vamos partilhar a alma, num abraço e, entre as tardes que não chegam, eu sei que vais ser alegria. 

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