Quando quero fugir de mim, da realidade, das sombras e até do sol. É cíclico, eu gosto do sol, da realidade, das sombras, mas tenho necessidade de fugir. Gosto de me refugiar e aí afogo a cabeça sobre um livro. Quem diria que esse mesmo livro serias tu, este que te escrevo, o que o teu sorriso se revelou. Decerto as letras são mais complexas, eu sei que sim, mas eu gosto de desvendar coisas que já me surpreenderam.
Sempre que abro um livro, sobre qualquer assunto, surpreendo-me sempre. É incrível o poder das letras, mesmo que suaves, mesmo que balas. Neste momento, estas palavras, neste coração, são balas. Fugiram de uma arma que eu não vi e penetram o corpo. Matar não me sabem, mas a ferida é larga, dura e em carne viva fica. Sim, neste momento sou carne viva, porque não tenho pele, não tenho pele. A pele protege e o teu sorriso protege-me também, protege-te também. Afasta as sombras. Eu não tenho pele, mas não dói, só faz ferida, incurável sei bem.
Estas palavras sim, têm a forma de balas, custam a sair e, quando tocam o papel fazem fogo, ferida mas são elas que me fazem também fugir de mim, da realidade, das sombras e até do sol. E eu adoro o sol, o sorriso, os raios, a claridade, os pássaros, o dia, a tarde. Eu adoro, mas não sou capaz, tenho de fugir de mim e tomar a forma de bala, de saudade para poder fugir de mim e não tentar dizer, com olhos mentirosos, sombras escuras: Eu não tenho saudades.
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