Doce de framboesa

Nunca quis tanto sonhar como agora. A minha imaginação é o que me faz ter, o que na vida real não posso ter. Assim, valorizo a vida da minha imaginação, a verdadeira vida onde sei ser feliz. Neste momento, é lá que te vejo. Pequena e brilhante, com estrelas penduradas no cabelo. E lá não vejo as tuas respostas com tom de amargura, de deixar estar. Gosto mais daquele teu tom de doçura e aparente orgulho, mesmo que não fundado. É por isso que as tuas respostas, nestes meu pequenos sonhos, dentro da pequena pessoa que me habituei a ser, as tuas respostas sabem a doce. A doce de framboesa, num frasquinho de vidro, pequenino, com uma flor à mistura. Uma flor vermelha, mesmo seca, com sangue a correr por entre os ramos, as pétalas. Olhando para ela, parece velha, cheia de rugas, como aqueles que já estátua são, numa determinada região. Assim, a flor que se mistura docemente no doce de framboesa, também ela é uma estátua, um pequeno grande monumento no meu quarto. Os que, à partida, nada dão pelo seu aspecto, deles tenho pena - talvez nunca tenham provado uma flor e nunca tenham sabido cheirar, realmente, um doce de framboesa. 
Deste modo, neste meu pequenino mundo de fantasia, eu gosto de todos os dias provar mais um bocadinho do doce, com cuidado, saboreá-lo e descobrir todos os dias que ele tem sabores, dentro do seu sabor, novos. Por isso, tu és como um doce, tu és como o doce de framboesa do pequeno frasquinho: pequenina que deixa vontade de mais. Assim, não te zangues quando quero mais, quando tenho saudades, quando te digo gostar de ti. No fundo, sei bem que também tens vários sabores, dentro do teu sabor, tens várias cores, dentro da cor dos teus olhos. Eu quero descobrir mais cores. Quero, contigo e em ti, descobrir novos sabores, mas na vida real, para que a imaginativa possa ser tão boa ou melhor que esta. 
sim, eu percebo que talvez tu precises de, também, ter um bocadinho da tua vida real e depois te possas dar um bocadinho à minha imaginativa. Confesso a falta de te ter junto de mim, assim como confesso o quanto eu gosto de ti, como confesso o quanto gosto do teu doce sabor a doce de framboesa. Por isso, tenta voltar, dar-me um bocadinho de tempo, de doce, de meiguice pura e bruta. Eu compenso - mesmo que com letras, mesmo que com pequenas coisitas que a ti não te são nada. Eu compenso com o meu sorriso, doce e frágil, contigo forte. Eu compenso com tentativas de orgulho, mesmo que falhadas, nunca deixadas a meio. 
Eu prometo que, por esse teu doce, irás sempre ter algo em troca. Por agora, resumo-me a aguardar o momento em que te possa dar algo em troca. 

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