Caracterização do que não sabeis saber

Ora na cabeça, ora no coração, vossa condição sabe ser sempre a mesma, mesmo depois de já muito tempo ter passado desde vós, desde que vos comecei a escrever, a ver-vos como personagem, piano. Vossa imagem, também ela ora na cabeça, ora no coração, sabe estar bem consolidada em ambas partes minhas. Eu sei que vós sois como eu, à parte disso tereis o cabelo escuro, um preto de esperança e não de luto, que te tinge também os olhos, quando choras e quando sorris. Eu sei que línguas falais e do que mais sabeis gostar, sabendo desde logo que gostais de mim, sendo isso, só por si, um sentido para todas estas horas. Contudo e residindo vossa diferença em mim, eu sei que vós também sois piano e, assim, menina pequenina, de meiguice acentuada no rosto, de olhos e cabelo escuro, mas não de esperança, de mistério - escrevendo eu na tentativa de vos descobrir. 
Sei bem porque sois meu piano e os porquês de vos escrever, ora com a cabeça, ora com o coração, eu sei bem porque vos falo e sobre o que vós gostais de falar. Assim, sei que vos gosto, à semelhança de que vós gostais de me ler. Eu sei que vós gostais de me ler, enquanto pessoa, pena vossa ignorância a ler entre linhas, a não sapiência quando se trata de descodificar minhas palavras. Vós sabeis ler-me, pena é que não sabeis ler-me. 

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