A calma do teu lado

Agora a imagem do teu rosto não é clara, mas é límpida. Pareces tímida, numa conjuntura de sentimentos estranha em redor de ti, como uma criança, e a tua fragilidade está mais assente que nunca, enquanto ao mesmo tempo acabas as frases com uma frieza característica. Eu acabo as frases com medo, porque o meu coração está frio e a alma trémula, porque o meu sorriso está vazio de razões e os meus olhos estão cobertos de névoa. Os meus olhos são um vidro embaciado, onde a minha sensibilidade, defeitos e feitio estão mais claros que nunca. Pousam neles pequenas gotas de água, como naqueles dias frios de inverno, que não sei tirar, não sei secar, não tenho força para levantar a mão e secá-las. Os meus braços parecem estátuas e movem-se consoante o dia obriga, consoante obrigações, sem vontade nem desejos. Sinto-me sem desejos, só com a força mínima para pensar, sem vontade de o fazer. Quero-me encostar ao teu colo, enroscar nesse feitio intrigante, abraçar as tuas asas de anjo, fazer de ti o meu refúgio. Melhor que ninguém sabes ser o mais pequeno e mais confortável refúgio que pude algum dia encontrar. Aguentas com tudo, mesmo pequena, e não desarmas. Se eles disseram que isto não é amizade, que toquem a ponta dos meus dedos, que observem o meu sorriso e remexam no mais fundo do castanho dos meus olhos, que cheirem meus cabelos e me examinem os braços. Decerto, em todos eles encontraram pequenos vestígios de ti. Na ponta dos dedos, segredos; no meu sorriso, alegria; Nos meus olhos, pequenas marcas dos teus; Nos meus cabelos, o teu cheiro; Nos meus braços, encontrar-te-ão em pessoa. Onde quer que vá, trago-te, como refúgio e sinto-me assim segura. Onde quer que vá eu sei que estou abraçada a ti, bem enroscada no teu colo e que tu, pequenina e linda, me observas com uns olhos calmos a que me habituaste, com a calma profunda dum ser celeste. Onde que que vá, mesmo sem força nos braços e com os olhos cheios de névoa, eu sei trazer-te, porém começo a sentir falta da sensação de te ter ao meu lado, em corpo e alma. Em corpo e alma, toda tu. Tenho vontade de me deitar ao teu colo, abraçar-te, mandar-te fechar os olhinhos, tocar-te o rosto com uma calma que não me é característica. É isso que me faz falta: a calma de quando estou contigo, que sei ter ao teu lado. 

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