Percebeste a mensagem e agora eu percebo-te o coração. É impossível dizer como, explicar ou escrever. Eu sei bem o que te escrevi, sei quem tu escondes ser e não é possível de explicar. Peço desculpa a todos os que desiludi com isto, peço-te desculpa se desiludi. Apenas sei que te quero assim, como agora. Quero-te como te vou ter. Eu sei ser paciente, enquanto tu sabes ser demorado, caro livro. As tuas histórias demoram tanto a ser escritas, demoras tanto a escolher as letras certas, a cor das palavras e a mudar de capítulo. Gostas de viver devagar, talvez por medo que o tempo te traía. Não te censuro, pelo contrário, talvez tenhas mais emoções que eu e as vivas tão ou mais intensamente que eu. O teu modo de levar a vida é teu, de escrever esse misterioso livro, com código e chave, com enigmas e problemas difíceis. Porém, sabes que eu também sei ser paciente, tens aqui a prova. Acreditei que valias a pena, acreditei em ti. Só esperava que também acreditasses, só esperava conseguir estar à altura das tuas letras, apesar de saber não o conseguir fazer, mas sabes que não me incomoda como outrora. Pacientemente vou tentar-te explicar tudo isto, vou fazer um resumo de ti, livro, da obra que és. Pacientemente vou acreditar que um dia te direi tudo isto e saber-me-ei orgulhosa por ter feito parte, mesmo que uma palavra, de uma das tuas histórias. Quiçá heroína, quiçá personagem secundária, saberei que fiz parte e isso vale toda a paciência. Vale toda a mensagem que te deixei no correio de voz, que, mesmo que não tenhas ouvido, sei que percebeste.
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