Ficai, ficai mais um pouco que a noite já alta vai, mas meu coração, unido a minha alma, não me deixam este desassossego. Deixai-vos ficar aqui, vigiai-me para que nada de mal faça, creditai-me e sabei que serei melhor. Não vos quero ser mais aquele rosto que se envergonhou que ele não se voltará a envergonhar perante vós.
Ficai aqui mais um pouco, minutos que sejam e tocai-me com vossa sabedoria, não me deixai mais fazer o que fiz, o que não fiz - o que não quis fazer. Deixei-me tomar pela maior desgraça do humano, de que faço parte: não querer fazer. De tantas ordens poderia surgir tal desgraça, mas a minha fostes vós. Por tudo isto, salvai-me agora antes que meus braços no chão se deixem cair derrotados, antes que meu rosto de vermelho se cubra e as lágrimas o venham aliviar. Não deixai, não deixai! Segurai-me os braços, olhai meu rosto com olhos de quem bem quer, de quem não deixa os males passarem, acolhei-me com uma toalha, feita por vós, de suor vosso, para me limpar as lágrimas, antes mesmo de estas me escorrem pelo rosto. Ajudai-me, vos rogo, vos peço, vos imploro. Não só hoje, aqui nesta alta noite, mas amanhã e sempre. Vossos braços não tendo um término, bem sei que poder-me-ão ser fundamentais, bem sei que poder-me-ão ser salvação. Vós, piano, tendo braços tão grandes e fortes, em que guardada me sinto, protegei-me de todos os males, desgraças e, ao som de vossos braços, vossas teclas, tocai-me no coração a mais bela melodia da salvação.
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