Entre tanto que escrevo vossa presença torna-se inevitável, pelo ensinamento, pela emoção. Não acreditaria, quando nossos olhares se cruzaram pela primeira vez, em nossa força. Agora é real. São vossas palavras, cruzadas com as minhas, num reboliço de olhares inimaginável. Vós sois pessoa de preto e branco, mas não pensei que me encaixe-se em vos de tal forma, que vossos olhos capazes seriam de me fazer sentir num lugar que não sonhei estar. Tal como esse preto, encaixais em mim duma maneira negra, que me toma os dedos, numa onda de escrita que liberta. Tal como vosso branco, dais-me mais inspiração, pura, que qualquer outro ser de duas cores. Vós sóis monocromático, meu querido piano, vós sóis o que sempre neguei a existência. Agora sóis mais real que nunca, mais preto e mais branco. E vossa melodia me consome, toma meus dedos, gestos, olhares. Vosso preto toma meus olhos, vosso branco, minha alma.
Sem comentários:
Enviar um comentário