Querido dicionário,

Sendo a primeira vez que te escrevo, quero tentar imprimir nestas meras palavras cada emoção que soubeste imprimir em mim, apesar de saber que não tenho esse dom. 
Antes de mais quero-te agradecer. Antes de mais quero-te pedir desculpa. Antes de mais quero-te dizer que isto não faz sentido. São só palavras. Talvez por isso te escreva, hoje, passados alguns anos, passadas algumas emoções. Talvez por isso isto sejam só palavras, que hoje te dedico. Não tendo poder para mais, é com o que te deixo, afinal foi com o que me deixaste sempre, foi a melhor herança que me deixaste. 
Não poderei esquecer o teu nome em cada palavra que escrevo: estarás lá sempre. Por pouco que seja, cada metáfora tem parte de ti, por me ensinares o que eram, cada poema tem parte de ti, por me incentivares na sua continuação, cada texto tem parte de ti, por me dares a tua opinião. 
São só palavras, com que hoje te deixo e deixarei sempre. Aprendi, contigo, o poder divino delas, a sua quantidade de sangue, a sua função de glóbulos brancos e vermelhos, de oxigénio e dióxido de carbono. Hoje, essas "só palavras" correm-me no sangue, como tu. Correndo tu em todas elas, corres-me também tu no sangue.
Passou tempo, mas eu não te esqueci. 
Passou tempo, mas as palavras não te esquecem.


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