Querida espada,

corta-me ao meio. Quero isso como se fosse a maior certeza que o meu corpo consegue ter, neste estado. Quero-te, com a maior certeza. A ideia de me poderes cortar sempre me fascinou, e agora já nao há parede, agora sou te quero a ti, espada. Quero o teu corte, afiado como hoje, o teu brilho, como o de sempre. Preciso de sangrar por ti, visto nunca ter sangrado por ninguém. Tu és como ninguém, espada. Nunca tive uma espada ao meu redor e agora quero-te. Preciso-te como nunca precisei ninguém e, mesmo que perca a batalha contigo, saberei sempre que foi o melhor que fiz, foi o que sempre me disseram para fazer e é o que quero fazer. Mais que nunca, sei o que quero fazer. Espada. Corta-me e deixa-me sangrar nos teus braços, nas tuas mãos. Bebe do meu sangue que não me importarei. Apenas te quero, o teu corte. Nunca, mas nunca duvides disto e torna isto, como se fosse a maior certeza que o teu corpo consegue ter. Toma o meu corpo. Saberei que mesmo arrependida, não me arrependerei.

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