Querida espada,

já não vales a pena. já não vales a pena. Cansei-me de ti e da falta de inspiração que me tens dado. Já não vales a pena, mas sabes que vales. Além do poder de te fazeres valer a pena em mim, tens o poder de saber isso. És tal e qual uma espada: tens tudo nas tuas mãos. Estúpida sou eu por saber que me ias atravessar, estúpida sou eu por saber que me ias matar. Estúpida sou eu porque me deixei matar nos teus braços. E tu sabes que continuas a valer demasiado a pena, continuas a saber isso, eternamente. Só quero, além de deixar de pensar que vales a pena, que este eternamente acabe. Já dura à tanto tempo que me começa a cheirar mal, substituindo o cheiro do teu perfume, que sim, ainda sei qual é. Já dura, este eternamente, à tanto tempo que me começa a dar comichão, por todo o corpo, por toda a alma e coração e, de tanto coçar as feridas feitas pela tua espada, o meu coração já não tem feridas. O meu coração já só se deixa sangrar. Ainda vales a pena, ainda sei o teu perfume e o meu coração ainda tem muito sangue para sangrar até morrer. E o eternamente continua.

Sem comentários:

Enviar um comentário