Alguns dias, sinto-me farta de mim, das outras pessoas. Sentido-me estranha, tudo à volta me parece estranho, feio e medonho, como um filme de terror. Quando estou assim vejo as pessoas que adormeceram, profundamente, à minha volta e as que estão já com os olhos quase a fechar. Tudo me mete medo e sinto-me aqueles protagonistas desses malditos filmes de terror, que sofrem até não poderem mais e acredito sempre, mas sempre que no final vou morrer. Perco mais uma vida, nesses momentos, como nos jogos.
Sentindo-me farta de perder vidas neste jogo, agarro a tua mão, à semelhança do que sempre fiz. Todas as vezes, de tantas vidas já ter perdido e, consequentemente, força, agarro as tuas mãos com mais carinho, ou com mais falta dele. Sem saber porquê, é sempre à tua mão que me dirijo, é sempre ela que imagino, esticada e aberta, pronta a dar-me a força que necessito para a vida seguinte. As vezes, penso mesmo que é pela tua mão e essa força que ela me dá que ainda estou viva pois ela sabe melhor que ninguém tirar-me desses filmes de terror que vivo. pois ela sabe melhor que ninguém dar-me força e mais uma vida, mesmo sabendo que perco sempre.
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