Matematicamente

Achava-te mais exacto do que a própria matemática, mas ao contrário desta, eu gostava de ti. Eu sabia, desde o inicio destas letras, que gostava de ti, não sei, havia uma espécie de brilho quando ouvia o teu nome, quando te via. Desejei tantas vezes resolver os teus problemas, aqueles com várias incógnitas, equações infindáveis, mas nunca me sentia apta a tal. Nunca fui boa a ciências exactas, gosto sempre mais de coisas subjectivas. Contudo, sempre achei que os teus problemas tinham uma solução e não te regias por fórmulas, por teoremas. Se a matemática é sempre a mesma e para a perceber temos de a exercitar, para te compreender foi necessário um pouco mais que resolver os teus exercícios, foi preciso ter paciência, calma e, acima de tudo, um gosto por ti. Eu não te via só, eu sentia-te. Em cada frase, eu sentia-te. Em cada sono, eu olhava-te. Durante todos os sonos, os sonhos, eu olhava-te mas o meu gosto não me permitia deter só no teu rosto, mas olhava-o. Se tu fosses matemática só saberia a distância entre os teus olhos e a tua boca, o comprimento do teu cabelo ou a distância entre os teus ouvidos. Nesses sonhos teus em que te olho nunca poderás ser matemática: Existe uma complexa rede de transmissões entre os teus olhos e a tua boca, existem infindáveis interpretações para o teu olhar. Existe um tamanho do teu cabelo que a própria matemática não sabe conhecer: quem teve o poder de lhe tocar. Existe também algo mais além da distância dos teus ouvidos, existe a sua vontade de querer ou não ouvir. 
A minha dúvida permaneceu sempre no exacto ponto que referi, a distância entre a vontade de me quereres ou não ouvir. Isso sim passou a ser um problema matemático, exercitado por mim tantas vezes quantas as que duvidei dessa distância. Eu sei o quão parecia infindável, mas não era. Agora que encontrei a solução desse problema, matemático e emocional, já não sei mais nada. As variáveis esclareceram-se a solução, por fim, veio ter comigo, com as minhas dúvidas e disse-lhes adeus. Eu, pelo contrário, agora não posso, nem te vou dizer adeus. À matemática o adeus está para breve, a ti não, por não seres só matemática. Se 1 + 1 são dois, tu és um 8 deitado, na minha alma, no meu coração, é a única matemática que neste momento sei relacionar contigo. 

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