Domingo à noite

E os teus olhos já não observam a força dos meus, força essa que, com toda esta ausência, acaba por se desgastar. A culpa não é minha, livro. A culpa é de te teres escrito assim na minha cabeça e, mais tarde, coração. A culpa é de tudo o que te fez assim, em mim. Custa admitir, custa, eu sei bem o quanto custa, este fio de luz apagada, que se enrola no meu pescoço, dói, apesar de ser suportável, dói. Não vejo a hora de voltares, mesmo que timidamente, a acender o fio de luz que deixaste pendente, quando partiste. Não vejo a hora de chegar domingo à noite, de poder ir dormir e saber que o fio voltará a crescer, a brilhar. O teu sorriso pode continuar a brilhar, para o mundo, a questão é que sinto o fim chegar, sinto que já pouco pode continuar a brilhar por mim. Por isso, não deixes que o fio se vá, não deixes que se acabe antes mesmo de ter começado. Preciso desse fio para recordações, para letras e ar. Preciso de ar, por isso volta. Preciso de brilho, por isso não te vás. 

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