Até lá

Até lá espero não te ver nem falar. Decerto saberás causas e razões para o fazer, saberás que me sinto farta de certas coisas que me continuam a fazer comichão. Pensei que me soubesses ler melhor, conhecer melhor e distinguir o que é bom para mim, o que eu realmente quero. Sabes bem que isto era o que mais queria, que me seguiu nas viagens. Nos transportes públicos onde andei e nas lojas onde entrei, havia sempre algo que me lembrava o teu rosto, que iria rever à noite, após tanto tempo sem o poder contemplar. A noite chegou e sabia que lá estavas. Mas não estavas perto de mim.
Eu fiz de tudo para que fosse diferente, quando vi não resultar, dei-te a dica para o que deverias fazer, mas não o soubeste fazer. Até lá espero que te lembres do quanto me deixaste triste. Até lá espero que penses que eu não sou uma estátua que espera a tua visita de médico. Eu esforço-me para ter tempo, esforço-me para estar lá, onde tu queres e tens de estar, às horas que queres e tens de estar, mas eu não sou o que eu quero, sempre que quero e sou dependente de vários factores e companhias, como tu. Assim devias pensar, como me tens como garantida e de "pernas abertas" para te receber, sempre que tu queres, sempre que tu te lembras. O meu mal é saber que, ao voltar a contemplar o teu rosto, estas palavras vão deixar de fazer sentido. Oh se eu soubesse parar toda esta influência, sou tão tola. Sou tão tola em ter chorado, mas os olhos não aguentaram mais a força, o coração o embate e a alma o desgosto. Assim passei o fim-de-semana, entre as horas que te esperei, as horas que te chorei e as horas que pensei. Os transportes públicos lembram-me que não devo criar expectativas, ilusões. Acredito que as desilusões só chegam quando há ilusões e nisso, ao fim de dois anos, acredito já sou especialista. Não sei quanto tempo aguento mais assim, não sei se quero aguentar mais assim. A alma implora para que sim, por ser a única forma de te ter, no teu estado puro, o coração obriga-me a que sim, mas a cabeça cada vez ganha protagonismo. Desculpa se estou a crescer e a pensar mais. Até lá, quando nos voltarmos a ver, lembra-te que, se a ti  nada te faz  a minha ausência, a mim faz demais a tua, e tu sabes bem disso, por isso revê o que me tens feito, relembra-te do que me fizeste agora. Até lá, lembra-te que um dia eu posso não voltar, pelas horas todas que tive de esperar.

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