Querido Piano,

o teu silêncio, face a tudo isto, é sentir verdadeiramente a pele a tocar-me nos braços, as veias a moldarem-me o pescoço, o sangue a moldar o coração. É sentir-me por dentro e sentir-te por fora. sentir-te na fluências das palavras que, quando te escrevo, me fogem dos dedos, me unem os dedos à ponta da caneta, e me pintem letras na pele. Tu tatuaste-me sem te aperceberes, o teu silêncio tatua-me. O teu silêncio tatua-me. E começo a sentir as veias de novo a tocarem o meu pescoço, a beijarem o meu coração, correndo de encontro ao seu batimento, sinto o meu sangue, vermelho como os olhos que te vejo, a tocarem piano à velocidade que o coração pulsa o sangue, de dentro para fora, de dentro para fora. Tu vens de dentro para fora, fazendo do meu corpo e alma o teu piano, a tua sinfonia, onde ensaias e brincas. Onde não sabes... mas pintas.

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