Avó

Sei que pensas que não me lembro de ti, onde quer que estejas. Mas eu lembro-me quase todos os dias. Não faço a minha vida de preto, não rezo todas as noites à tua alma, mas eu lembro-me de ti. Sei o dia em que te foste embora, sei de cor o dia em que te vi, deitada, fugida do teu corpo. E preferia não saber. Mas eu sei e não o posso mudar, por isso vou-te guardar a ti, e a imagem que me lembro de ti. Vou orgulhar-me de ti, não do que fizeste, mas de ti. Porque posso não te ter conhecido bem, tu podes nunca me ter reconhecido no papel que era só teu, mas eu reconheço-te e, até que a memória me falhe, irei sempre saber o que me eras, o que me foste e quando te foste. Avó, uma admiração, Novembro 2010. Irei sempre saber o que me eras, o que e foste e quando te foste.

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