Invernoo

Quando a chuva começa a cair, chega a época das lareiras, do cobertores, de aquecer. de esquecer. Vou esquecer as velhas roupas que outrora me ficavam pequenas, de tão vaga e recheada de vazio que eu era. Agora emagreci e as roupas ficam-me largas. Aceito este facto com todo o meu contentamento porque aprendi a viver com o que me faz respirar, sem me contaminar com as poeiras que andam no ar.
Agora sim posso afirmar uma mudança na minha vida: de casa, roupas, pessoas.
Não digo que perdi as velhas, ficam sempre na memória e algumas mantém-se, mas comprei novas roupas, mais quentes, mais apertadas. Já nao preciso de um L para a minha máscara caber lá dentro, pois partia e enterrei-a a 50 metros de profundidade. Mandei-a para o inferno! Para se poder queimar, derreter, desaparecer, para pagar pelos males que durante todos estes anos me fez.
Mereço uma segunda oportunidade e peço aos anjos e santos que me ajudem! A minha caminhada apesar de fugaz, foi intensiva, demais! E agora, quero uma pausa, quero uma fase mais calma! Com mais borboletas que picos de rosas, com mais margaridas que águias esfomeadas. Quero um bombom sem estar envenenado, uma sobremesa bem confeccionada!
Deixem o veneno para o diabo, juntamente com a minha máscara.
Agora sou mais eu.
Mais Mariana.

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